Um caso grave e alarmante envolvendo a segurança pública no Paraná veio à tona após investigações apontarem um suposto plano de assassinato contra os policiais militares Ricardo Chiarello Marchesi e Rodrigo Chiarello Marchesi, conhecidos como “Gêmeos da PM”. A apuração revela que os irmãos estavam sendo monitorados por integrantes ligados ao crime organizado, com indícios de que um atentado estava sendo planejado.

De acordo com informações obtidas pelo Diário News, uma mulher — que atualmente cumpre prisão domiciliar — teria sido contratada por criminosos para levantar dados detalhados sobre a rotina dos policiais. A ordem, segundo seu depoimento, partiu de um detento que se encontrava custodiado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

A missão da suspeita era clara: acompanhar os deslocamentos dos irmãos, registrar imagens, identificar locais frequentados e mapear possíveis vulnerabilidades. Em seu relato às autoridades, ela afirmou ter recebido instruções diretas e ameaçadoras.

“Ele disse que enviaria dinheiro e que eu deveria ir até o litoral, me instalar e mandar fotos deles, de quem anda com eles, onde frequentam. Disse que tinha algo para resolver com eles”, declarou.

A investigação aponta que os monitoramentos ocorreram tanto em Curitiba quanto no litoral do estado, especialmente na região de Matinhos. Fotografias dos policiais em momentos de lazer, em suas residências e em estabelecimentos comerciais foram encontradas em posse da suspeita, reforçando a tese de vigilância prévia para um possível atentado.

No entanto, o plano acabou sendo interrompido após uma abordagem policial na entrada de Matinhos. A mulher estava acompanhada de outras duas pessoas em um veículo, onde foram localizadas armas de fogo, munições e coletes balísticos. Durante a ação, segundo relato da Polícia Militar, ela confessou imediatamente o objetivo da missão e detalhou o plano que vinha sendo articulado.

“Ela confirmou que estava monitorando os policiais e que existia um plano para executá-los. Inclusive, mostrou imagens que já havia capturado”, afirmou um dos agentes que participou da ocorrência.

A suspeita também revelou possuir antecedentes criminais, incluindo envolvimento com porte ilegal de arma e roubo de veículo. Ela permaneceu presa por aproximadamente três meses e, posteriormente, passou a cumprir prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica por cerca de nove meses.

Em sua defesa, alegou ter colaborado integralmente com as autoridades desde o momento da prisão. “Contei tudo desde o início, mostrei mensagens, ligações, tudo que me pediram. Não escondi nada”, afirmou.

O caso teve um desdobramento jurídico com a formalização de um acordo junto ao Ministério Público, resultando na chamada não persecução penal, mecanismo que permite a suspensão de uma ação penal mediante cumprimento de determinadas condições. Apesar disso, a Promotoria de Matinhos determinou a abertura de um inquérito para aprofundar as investigações, especialmente no que diz respeito à possível existência de uma organização criminosa por trás do plano.

Outro ponto que chama atenção é o relato da mulher sobre o suporte recebido por advogados indicados pelos próprios criminosos, o que levanta suspeitas sobre a estrutura e articulação do grupo envolvido.

O suposto mandante do crime, embora apontado como um detento, ainda não foi formalmente identificado no processo investigativo.

Cabe destacar que os irmãos Marchesi já haviam sido presos em 2022 durante uma operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), e atualmente respondem a diferentes ações penais. Ainda assim, até o momento, não há confirmação oficial sobre a motivação por trás do plano de execução.

As autoridades seguem investigando o caso, que expõe mais uma vez o nível de ousadia e organização de grupos criminosos no estado, além dos riscos enfrentados por agentes de segurança pública — inclusive fora do exercício direto de suas funções.

Créditos: Marcello Sampaio – Diretor da Redação | Diário News

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