- 0
- 498 words
Um caso que chocou o país teve um desfecho surpreendente na Justiça. O Tribunal do Júri de Pernambuco absolveu o homem que invadiu uma sessão de julgamento e atirou contra o réu acusado de matar seu pai. A decisão foi tomada no dia 10 de abril, durante julgamento realizado na 3ª Vara do Júri, no Recife.
O acusado, Cristiano Alves Terto, respondia por tentativa de homicídio após protagonizar uma cena de extrema violência em novembro de 2023, no fórum de São José do Belmonte, no Sertão pernambucano. Na ocasião, ele interrompeu o júri popular, se levantou no plenário, se aproximou do réu Francisco Cleidivaldo Mariano de Moura e efetuou diversos disparos.

O réu foi atingido por seis tiros e ainda sofreu agressões com coronhadas na cabeça. O ataque gerou pânico no local, provocando correria entre jurados, advogados, testemunhas e o próprio juiz, que deixaram o plenário às pressas. Apesar da gravidade dos ferimentos, o homem baleado sobreviveu.
Após os disparos, Cristiano tentou fugir, mas foi preso em flagrante nas proximidades do fórum. Com ele, a polícia apreendeu um revólver. A prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte, e ele permaneceu detido desde então.
DECISÃO DO JÚRI
Durante o julgamento, os jurados reconheceram que Cristiano foi o autor dos disparos. No entanto, optaram pela absolvição, exercendo a prerrogativa garantida pelo princípio da soberania dos veredictos, que permite ao Conselho de Sentença decidir pela absolvição mesmo diante da materialidade e autoria comprovadas.
MOTIVAÇÃO: VINGANÇA
O crime teve como motivação a morte do pai de Cristiano, ocorrida em 2012. Segundo o processo, Francisco Alves Terto foi baleado após uma discussão na zona rural envolvendo um desentendimento relacionado à fuga de um animal. Ele chegou a ser socorrido e permaneceu internado por 18 dias, mas não resistiu aos ferimentos.

Na época, o homem acusado do crime, Francisco Cleidivaldo, confessou ter efetuado o disparo, alegando legítima defesa. Segundo sua versão, a vítima teria avançado contra ele com um pedaço de madeira durante a discussão.
DESDOBRAMENTOS
Após o atentado dentro do fórum, a Justiça determinou o “desaforamento” do processo, transferindo o julgamento para outra comarca, com o objetivo de garantir segurança e imparcialidade.
Com a decisão pela absolvição, foi determinada a soltura imediata de Cristiano Alves Terto, que também foi dispensado do pagamento de custas processuais.

O processo que apura a morte de seu pai continua em tramitação e ainda não tem data definida para julgamento.
O caso levanta debates sobre justiça, emoção e os limites da atuação do Tribunal do Júri, especialmente em situações envolvendo vingança pessoal e crimes marcados por forte apelo emocional.
Créditos: Marcello Sampaio – O Diário News (Direto da Redação)

